DOENÇA E EPIDEMIOLOGIA

A influenza ou gripe é uma doença infecciosa aguda do trato respiratório, altamente contagiosa, causada por vírus da família Orthomyxoviridae, classicamente dividido em três tipos imunológicos: Mixovirus influenza A, B e C, sendo que apenas os tipos A e B têm relevância clínica em humanos. Sua transmissibilidade é alta, sobretudo pela via direta, por meio das secreções respiratórias da pessoa contaminada expelidas durante a fala, tosse ou espirros. A via indireta se caracteriza pelo contato das mãos em superfícies recém-contaminadas por secreções respiratórias, o que possibilita levar o agente infeccioso direto à boca, aos olhos ou ao nariz. A síndrome gripal clássica é caracterizada por início abrupto dos sintomas, com febre alta, calafrios, cefaleia, tosse seca, mialgia, fadiga e anorexia. Em geral, tem evolução benigna e autolimitada, de poucos dias. Porém, é possível a ocorrência de complicações, que são mais comuns em extremos de idade e indivíduos com algumas condições clínicas, como doença crônica pulmonar, cardiopatias, doença metabólica crônica, imunodeficiência ou imunodepressão, gravidez, doença renal crônica e hemoglobinopatias. As complicações pulmonares mais comuns são as pneumonias virais primárias e as pneumonias bacterianas secundárias. O vírus caracteriza-se por elevada taxa de mutação e as epidemias são causadas por novos subtipos que surgem em consequência de pequenas alterações antigênicas (antigenic drifts) resultantes de mutações pontuais durante a replicação viral. Essas alterações implicam a necessidade de modificação anual da composição da vacina, definida a partir das informações do sistema de monitoramento do vírus, ação essencial para identificar as novas cepas de influenza e o risco de uma ameaça global causada pela doença. Esse monitoramento é realizado pelo Global Influenza Surveillance Network (GISN) desde 1947, e conta com 130 centros nacionais de influenza em 101 países.

IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO NA POPULAÇÃO IDOSA

Dentre as infecções preveníveis por meio de vacinas, as mais frequentes em idosos são as do trato respiratório, destacando-se as infecções por influenza. A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir a gripe e reduzir a morbimortalidade associada à doença nesse grupo populacional e, nas últimas décadas, essa medida tem sido usada com sucesso para reduzir os impactos da enfermidade nessa população.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA VACINA

No Brasil, as vacinas disponíveis são constituídas por vírus inativados e fragmentados, portanto, sem risco de infectar o paciente. Para a produção dessas vacinas, o vírus influenza é inoculado em ovos embrionados de galinha, purificado e inativado pelo formaldeído. As vacinas são trivalentes ou tetravalentes, compostas de três ou quatro cepas influenza: dois subtipos de A (H1N1 e H3N2) e um ou dois subtipos de B, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Todas as vacinas influenza contêm traços de ovo e de antibióticos como neomicina ou polimixina. As que são disponibilizadas pelo PNI em frascos multidoses contêm também timerosal.

COMPOSIÇÃO DAS VACINAS

Anualmente, a OMS estabelece a composição das vacinas com base em informações coletadas por centros sentinelas presentes em todo o mundo, o que possibilita identificar a prevalência das cepas circulantes. Em 1998, a OMS passou a divulgar as recomendações sempre no segundo semestre, para atender também às necessidades de proteção contra a influenza durante o inverno do Hemisfério Sul. A formulação contém 15 μg de cada um dos dois subtipos do sorotipo A e 15 μg de uma ou duas cepas do sorotipo B. Este é o caso das vacinas tetravalentes que, por isso, oferecem proteção mais abrangente das cepas circulantes.

PROTEÇÃO/EFICÁCIA

Em adultos jovens saudáveis, a eficácia da vacina influenza é de cerca de 70% a 90%. A detecção de anticorpos protetores ocorre, em geral, cerca de duas semanas após a vacinação, e o pico máximo do título de anticorpos, quatro a seis semanas após a mesma. A proteção conferida pela vacinação é de cerca de seis a oito meses. Em idosos estima-se que a prevenção de doença respiratória aguda seja de, aproximadamente, 60%. No entanto, os 8 reais benefícios da vacina estão na capacidade de prevenir a pneumonia viral primária ou bacteriana secundária, a hospitalização e a morte, ainda mais em pessoas com doenças crônicas cardiovasculares e pulmonares.

INDICAÇÃO

Licenciadas a partir de 6 meses de vida, deve ser aplicada todos os anos, principalmente nos indivíduos maiores de 60 e, de preferência, antes do início do outono.

As pessoas que convivem com idosos e/ou cuidadores também devem ser vacinadas.

ESQUEMA DE DOSES

Dose única anual. Vias de administração Intramuscular (IM), preferencialmente no músculo deltoide (ombro) ou subcutâneo (SC).

APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM OUTRAS VACINAS DO CALENDÁRIO DO IDOSO

Pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas ou medicamentos, em diferentes sítios anatômicos.

EVENTOS ADVERSOS

Em geral, a vacina é bem tolerada e apresenta bom perfil de segurança. Eventos locais são benignos, autolimitados e, em geral, com resolução espontânea em 48 horas: dor; sensibilidade no local da injeção; eritema e enduração.

PODEM OCORRER OS SEGUINTES EVENTOS SISTÊMICOS:

Manifestações gerais leves, como febre, mal-estar e mialgia começando entre seis e 12 horas após a vacinação e persistindo por um a dois dias.

Reações anafiláticas são raras e ocasionadas por hipersensibilidade a qualquer componente da vacina.

Há relatos raros da ocorrência de Síndrome de Guillain Barré (SGB): quase sempre os sintomas aparecem entre sete e 21 dias, e no máximo até 42 dias (sete semanas) após a exposição ao possível agente desencadeante. É importante dizer que a incidência aumentada dessa síndrome esteve relacionada com alguns lotes específicos da vacina há alguns anos e que o risco de SGB causada pela infecção por influenza é muito maior do que o risco pela vacina influenza.

Os eventuais processos agudos respiratórios (gripe e resfriado) pós- -vacinação são eventos coincidentes e não estão relacionados com a vacina que, como já descrito, é produzida com vírus inativados e fragmentados.

CONTRAINDICAÇÕES E PRECAUÇÕES

Adiar a vacinação:

  • Na presença de doença febril aguda moderada ou grave.
  • Para pacientes com trombocitopenia ou qualquer distúrbio de coagulação: risco de sangramento pela via de administração da vacina (intramuscular). Nesses casos, a via subcutânea deve ser considerada.

Contraindicação da Vacinação:

  • Para indivíduos com história de reação anafilática prévia ou alergia grave relacionada ao ovo de galinha e seus derivados, assim como a qualquer componente da vacina.
  • Para indivíduos com história pregressa de SGB: avaliação médica criteriosa, observando-se o risco-benefício da vacina.

VACINAS DISPONÍVEIS NO BRASIL

O país importa as vacinas influenza trivalentes e tetravalentes de diferentes produtores internacionais. Já a vacina utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) é produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com o Laboratório Sanofi Pasteur. A composição das vacinas trivalentes é padrão nas apresentações utilizadas via intramuscular ou subcutânea: 15 µg H1N1 + 15 µg H3N2 + 15 µg B, totalizando 45 µg por dose de vacina.

Em estudo comparando a efetividade de vacinas influenza, no que diz respeito à diminuição de sintomas de gripe em idosos (sendo 96,4% com idade ≥ 65 anos), Iob e colaboradores observaram uma efetividade de 94% para a vacina com MF-59 versus 24,5% para uma vacina sem adjuvante.

Além das hemaglutininas virais, as diferentes vacinas podem ter em sua composição substâncias como neomicina, gentamicina, gelatina, etc. Dessa forma, a coleta de dados antes da vacinação é importante para detecção de alergia grave a alguma dessas substâncias.

DISPONIBILIDADE

Nas unidades básicas de saúde, para maiores de 60 anos; crianças de 6 meses a 5 anos; portadores de condições especiais (veja site do ministério da saúde); mães no pós-parto; gestantes; profissionais da saúde e doentes crônicos. Nas clínicas privadas de vacinação, para maiores de 6 meses.

São condições que incluem o portador no grupo de risco aumentado para as complicações causadas pela influenza: pneumopatias, cardiopatias, hepatopatias e nefropatias crônicas; uso crônico de ácido acetil salicílico; asma persisitente moderada ou grave; fibrose cística; doenças de depósito; diabetes mellitus; implantes cocleares e trissomias.

Fonte: GERIATRIA – GUIA DE VACINAÇÃO 
SBIm (Sociedade Brasileira de Imunologia)
SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

Durante o inverno, o idoso tem que se preocupar, especificamente, com 2 tipos de vacina. Uma delas é a vacina contra gripe, que é contra o vírus Influenza, que é o nome do vírus da gripe.

Dr. Roberto Florim 

• Infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas
• Diretor do Centro de Vacinação Vacinar

www.vacinar.com.br