DOENÇAS E EPIDEMIOLOGIA

SARAMPO – É uma doença infecciosa aguda, causada por um vírus RNA, chamado Morbillivirus, da família Paramyxoviridae, grave, transmissível e extremamente contagiosa. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que ocorram, por ano, cerca de 20 milhões de casos e 197 mil mortes por sarampo no mundo, principalmente entre as crianças menores de 5 anos de idade. Mais da metade destes óbitos foi registrada na Índia, de 2000 a 2007. Com as campanhas de vacinação, houve 74% de redução das mortes por esta virose. São considerados grupos de maior risco/faixa etária: crianças menores de 5 anos; profissionais da área da Saúde e da Educação; populações institucionalizadas de quartéis, prisões, centros de reclusão de menores, albergues, alojamentos; estudantes (do ensino fundamental ao médio); adolescentes e adultos jovens que viajam para países em que o sarampo é endêmico; trabalhadores da construção civil; trabalhadores do setor de turismo; pessoas que pretendem viajar para áreas endêmicas e que não foram vacinadas; crianças desnutridas ou indivíduos com doenças crônicas, como doenças cardíacas fibrose cística, asma, tuberculose, ou outras doenças crônicas pulmonares.

CAXUMBA – A doença é causada por um vírus específico pertencente à categoria do parainfluenza, subgrupo do paramyxovirus. A parotidite infecciosa costuma apresentar-se sob a forma de surtos, que acometem mais as crianças. Estima-se que, na ausência de imunização, 85% dos adultos poderão ter a doença, sendo que 1/3 dos infectados não apresentará sintomas. A doença é mais severa em adultos. As estações com maior ocorrência de casos são o inverno e a primavera.

RUBÉOLA – É uma doença exantemática (Doença infecciosa sistêmica em que manifestações cutâneas acompanham o quadro clínico) aguda, causada por um vírus pertencente ao gênero Rubivirus, da família Togaviridae. Apresenta alta contagiosidade, acometendo sobretudo crianças em idade escolar. Apresenta curso benigno, com manifestações clínicas leves, muitas vezes subclínico ou assintomático e raras complicações. Sua importância epidemiológica está relacionada à síndrome da rubéola congênita (SRC), quando a infecção ocorre durante a gestação e causa complicações importantes, como abortos, natimortos e malformações congênitas. O principal objetivo da vacinação para rubéola é a prevenção da SRC. A partir da disponibilização da vacina, os surtos da doença têm ocorrido de maneira variável, com intervalo de alguns anos, observando-se picos da doença no inverno e começo da primavera em regiões de clima temperado. O número de casos de rubéola caiu dramaticamente em países que disponibilizam a vacina; nos Estados Unidos, desde 2004 a doença foi declarada eliminada. No Brasil, no final da década de 1990, registrou-se número expressivo de casos da doença; em 1997 houve cerca de 30 mil casos, e consequente aumento da SRC. Após a implementação do Plano de Erradicação do Sarampo, em 2002, que impulsionou a vigilância e o controle da rubéola, registraram-se 443 casos nesse mesmo ano, o que representa redução superior a 90% da incidência da doença se comparada a 1997. O Brasil alcançou a meta de eliminação da rubéola e da sindrome da rubéola congênita (SRC) em 2010.

IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO NA POPULAÇÃO IDOSA

A maioria dos adultos brasileiros com mais de 60 anos de idade, muito provavelmente, é imune ao sarampo, rubéola e caxumba. Em casos de surtos, pessoas sem comprovação sorológica de infecção passada ou que não tenham recebido pelo menos duas doses da vacina tríplice viral na vida, devem ser vacinadas, independentemente da idade, desde que não imunodeprimidas (ato de reduzir a atividade ou eficiência do sistema imunológico) ou gestantes.

CARACTERÍSTICAS DA VACINA

  • Vacina combinada de vírus vivo atenuado.
  • Via de administração: subcutânea.
  • Pode ser administrada simultaneamente a outras vacinas. A produção de anticorpos é semelhante a quando se administram as vacinas monovalentes de cada um dos vírus componentes.

RECOMENDAÇÃO

  • Não é rotina para idosos.
  • Pode ser indicada a critério médico: surtos, viagens a lugares endêmicos, entre outros.
  • Após exposição ao vírus do sarampo: uma dose até 72 horas após a exposição.

DISPONIBILIDADE

  • Postos públicos de vacinação: apenas em situações especiais.
  • Clínicas privadas de vacinação.

ESQUEMA VACINAL

É considerado protegido o indivíduo que tenha recebido duas doses da vacina após 1 ano de idade, com intervalo mínimo de um mês entre elas.

ADIE A VACINAÇÃO

Diante do uso de imunoglobulinas e de sangue e derivados previamente à vacinação ou nos 15 dias posteriores a ela. Revacinar nessas condições.

CONTRAINDICAÇÃO A VACINAÇÃO

  • Em indivíduos imunossuprimidos.
  • Diante de histórico de reações anafiláticas após ingestão de ovo.
Fonte: GERIATRIA – GUIA DE VACINAÇÃO 
SBIm (Sociedade Brasileira de Imunologia)
SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

A vacina tríplice viral consiste na prevenção de 3 doenças: sarampo, caxumba e rubéola. A vacina tríplice bacteriana é constituída para a proteção de 3 doenças: a difteria, tétano e a coqueluche.

Dr. Roberto Florim 

• Infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas
• Diretor do Centro de Vacinação Vacinar

www.vacinar.com.br