Nem todo paciente que esquece é portador de demência e nem toda demência é Alzheimer.

As falhas na memória constituem a queixa cognitiva mais comum em idosos. Aproximadamente 50% destes, queixam-se de dificuldades em lembrar nomes, palavras e número de telefones.

No entanto, a grande maioria, não apresenta uma doença primária da memória, ou seja, uma demência.

Vários fatores podem influenciar na memória, como a visão, a audição, a atenção, a concentração, a motivação, o humor, a cultura e as aptidões natas como a facilidade que cada um tem para lembrar-se de rostos, nomes, etc. Uma integração adequada de todos estes fatores, se faz necessária para uma boa memória.

As queixas mais comuns de perda de memória em idosos podem ser explicadas pelo:

Envelhecimento Normal – Onde a memória não ocasiona prejuízo importante para o paciente, sem interferir com uma vida independente e autônoma.
Uso de Medicamentos – Particularmente aqueles que atuam no sistema nervoso central como os tranquilizantes, os soníferos, antidepressivos, drogas para vertigem, entre outros.
Doença Clínica – Como os distúrbios da tireoide, da paratireoide, diminuição da vitamina B12, diminuição do sódio, etc.
Doenças Neurológicas – como a doença de Parkinson, o acidente vascular cerebral.
Doenças Psiquiátricas – como a depressão e o transtorno crônico da ansiedade.

Muitos pacientes procuram o consultório de Geriatria com queixas de perda de memória acreditando estarem iniciando um quadro demencial enquanto na realidade o que esta por trás destas queixas é um importante quadro depressivo. Cabe ao médico identificar todas as doenças clinicas e medicamentos que possam estar interferindo de forma negativa na memória.

Por outro lado, existe um grupo de pacientes que, ao procurarem o medico com queixas de perda de memória, já estarão iniciando uma demência. O que distingue estes pacientes é o déficit de memória e de outras áreas cognitivas, já suficientes o bastante para interferir na vida social ou laboral, e representa uma piora em relação ao nível prévio de funcionamento. Neste caso, o médico saberá que o paciente é portador de um quadro demencial.

Como próximo passo, procurará definir se está perante uma demência reversível ou uma das várias demências irreversíveis. Para isso, é necessário que se faça uma entrevista detalhada com o paciente e a família e solicite exames complementares incluindo exames de imagem cerebral (tomografia ou ressonância) e de sangue. Na presença de exames complementares normais o diagnóstico seria de doença de Alzheimer provável (uma das formas mais comuns de demência, porém não a única). A presença de infarto cerebral sugere demência vascular. Comumente a demência vascular e de Alzheimer coexistem no mesmo indivíduo. Os outros tipos menos comuns requerem outros meios diagnósticos.

O curso, o prognóstico e o tratamento destes diferentes tipos de demência podem ser distintos. Assim, nem todo paciente que esquece é portador de demência e nem toda demência é Alzheimer. Cabe ao profissional médico fazer esta distinção e orientar no tratamento.

Fonte:
Ulisses Gabriel de Vasconcelos Cunha (MG)
Médico Especialista em Geriatria
Coordenador da Residência Médica em Geriatria do Instituto dos Servidores do Estado de Minas Gerais